Diurno

Do caos ao cosmos: entendendo a complexidade do processo criativo em projetos de design

por: Luiz Teixeira

data: 20/05/2019

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Antes de começar o conteúdo de fato, gostaria de trazer uma pergunta:

Você se considera uma pessoa criativa?

Confesso que este foi por muito tempo um questionamento que me assombrou e me causava certo desconforto, pois, apesar de ter algum tempo de atuação no mercado (em grande maioria trabalhando em times de design), não me considerava verdadeiramente criativo. E foi justamente essa inquietação que me fez querer entender mais sobre o processo formador de ideias e me lançar nesse universo de possibilidades.

Mas, afinal de contas, o que nos torna verdadeiramente criativos? Vamos entender quais são os conceitos que existem em volta desse processo para então desconstruir os estigmas em volta do criar.

Potencial humano

O ser humano tem consigo um dom singular: somos seres fazedores e, desde os primórdios da civilização, desenvolvemos significados para nossas ações. Somos capazes de estabelecer e construir relações entre os inúmeros eventos que nos cercam, por influência da cultura e também do nosso cotidiano. Por isso, é importante perceber que cada ato realizado por nós constrói diferentes interpretações e, que todos elas, constroem significados. Em resumo, digo que o potencial de conceituar está intimamente ligado a nós. Se reconhecer como detentor desse potencial e acreditar nele é de extrema importância em qualquer criação.

 

 

Sensibilidade

A sensibilidade é outro pilar do processo criativo. No dicionário encontramos diversas definições para esse termo, que se relaciona diretamente com emoção, sentimento, simpatia pela humanidade e empatia. A sensibilidade nos permite construir e elaborar mentalmente sensações internas, está ligada ao nosso inconsciente e delimita o que somos capazes de sentir e compreender.

Mas, como exercitar a sensibilidade?

O primeiro passo é  praticar a percepção ativa e consciente do que nos cerca culturalmente e entender os impactos do que é criado.  Uma dica é responder as seguintes perguntas:

  • Quais resultados eu alcanço com a transmissão de determinada mensagem?
  • Quais sensações despertam nas pessoas? E em nós?
  • Existe um propósito para o que está sendo feito? Se não existe, como posso desenvolver um?
  • Quais são os impactos da criação?

Em termos práticos, tente dialogar sobre sensações.

Horizontalidade

A ausência de hierarquia também está presente na construção criativa, isso porque, uma ideia potente sempre surge em fragmentos e para conectá-la, devemos percorrer (sem medo) uma linha sinuosa, cheia de descobertas e experimentações. Quando falo sobre experimentar, sugiro a incorporação de novas culturas e conhecimentos que estão fora da nossa “bolha de consumo”.

Desconstruir a linearidade que nos foi imposta na escola e em nossa vivência é fundamental neste processo, entendendo que fora do nosso ciclo existe um universo de novas possibilidades. E aqui vale o clichê: leia mais livros e revistas, dialogue com pessoas mais experientes e mais novas também, expanda os seus conhecimentos e relações.

Desafios constantes

Por fazer parte de um universo intangível, a criatividade sempre abre amplas discussões e o caminho se torna mais fácil quando entendemos que que ela não se resume à um talento, mas em métodos práticos que auxiliam o processo de desenvolvimento de cada um, com estímulo à sensibilidade e criação de ideias originais que contenham valor. 

Como citei no início do texto, tinha certa dificuldade em me reconhecer como um profissional criativo, e entender como poderia reverter essa situação aconteceu em meio ao caos.

Aqui na dtidigital  promovemos a transformação digital dos nossos clientes por meio de metodologias ágeis, o foco por aqui sempre foi entregar a melhor experiência do cliente e também dos colaboradores. No time do marketing, nos deparamos com desafios diários, pois, devemos sempre entregar soluções sob medida aos clientes e pessoas em contextos totalmente diferentes.

Somos estimulados a entregar soluções cada vez mais criativas e em um cenário acelerado de mercado e de transformação constante nos negócios,  a qualidade das entregas pode se comprometer em meio a pequenos prazos e é aí que está o problema: nessa esfera, tendemos ao óbvio e a criatividade pode se perder.

Então, como exercitar cada vez mais a criatividade sem que o tempo seja prejudicial?

Entendemos nesse texto que a capacidade criativa começa bem antes de você encarar um briefing de verdade. Confirmamos também que não existe uma fórmula exata para ser criativo. Cada um se desenvolve de acordo com habilidades exercitadas de forma constante. Mas, existem boas práticas que podem facilitar todo o processo. Se liga nessas dicas orientadas por metodologias ágeis, que me ajudaram e podem te ajudar a desenvolver mais criativamente:

Entenda as mensagens nos objetos 

Tudo comunica! Portanto, se atente aos detalhes e as falas, para construir briefings cada vez mais assertivos e direcionados. Não esqueça de questionar: “Essa informação é verdadeiramente necessária?” “Como podemos evoluir essa ideia?”, “Já pensou em…”

Exercite a empatia  

Escutar o outro é fundamental no processo de desenvolvimento qualquer projeto. A escuta ativa viabiliza novas possibilidades, capta particularidades e novos caminhos.

Argumente  

Quando existe uma razão e um propósito para o que está sendo feito, o resultado é visto de forma diferente. Saiba dizer e defender o porque de suas escolhas, ainda que pareçam abstratas. Tente criar sentidos reais que sejam percebidos por todos envolvidos no projeto.

Seja estratégico

As vezes, pensamos de forma megalomaníaca, queremos abraçar o mundo. Estude e teste diferentes possibilidades antes de encarar e botar a mão na massa. Tenha planos B e C para contornar possíveis eventualidades. Lembre-se que fixar qualquer projeto em uma ideia única é extremamente arriscado e responder rápido às mudanças e as incertezas é necessário em ambientes de constante transformação.

Saiba errar

O erro gera aprendizados e estes nos ajudam a encontrar direções alternativas e identificar oportunidades para a inovação. Não busque a entrega perfeita, busque a evolução de cada projeto de acordo com as experiências vivenciadas.

Colha feedbacks

Antes de apresentar qualquer projeto de design apresente para algum colega ou parceiro de trabalho. Uma visão de fora enriquece muito o trabalho criativo.

Experimente

A experiementação é o exercício que fortalece novas ideias e conexões, tente pensar em novas formas de fazer design, que não envolvam somente softwares, encontre novos processos, técnicas e metodologias. Saiba que esse é um caminho contínuo.

Sejamos todos criativos!

Chega desse papo de que: “fulano é mais criativo que eu” ou “eu não sou criativo o suficiente”! O processo de criação é uma questão de percepção ativa e consciente, fortalecimento de relações, escuta ativa e, principalmente, empatia. Ter sensibilidade e coragem para entender o “caos” da criação, a harmonia secreta presente na desarmonia e transformar os problemas em significados, que possam impactar pessoas e gerar valor.